Recentemente, me deparei com uma publicação no LinkedIn do Daniel Mendes que me fez refletir bastante sobre o caminho que muitos de nós seguimos quando decidimos empreender na área de tecnologia. O post dele começa com uma frase que, para muitos, soa como um tapa na cara:
“Primeira venda: 0€. Primeira fatura da AWS: 132€.”
Essa frase resume perfeitamente um erro comum no mundo das startups e projetos pessoais: investir pesado em infraestrutura antes mesmo de validar se há demanda real para o produto.
Já vi (e vivi) isso de perto. A empolgação de construir algo novo, a vontade de fazer tudo “certo” desde o início, com as melhores práticas, a arquitetura mais robusta, deploy automatizado, observabilidade, escalabilidade… tudo isso antes mesmo de saber se alguém realmente quer usar o que estamos construindo.
No caso citado por Daniel, um amigo pediu feedback sobre um MVP. O projeto já estava com tudo: VPC, Lambda, S3, CloudWatch, CI/CD… parecia pronto para atender um milhão de usuários. Mas tinha um detalhe: ainda não havia um único usuário real. Nenhum. Zero.
E aí vem a frase que mais me marcou:
“Estás a construir infra para um avião quando ainda nem sabes se alguém quer a viagem.”
Essa analogia é perfeita. É como montar uma frota de aviões sem saber se alguém quer voar, para onde quer ir ou se prefere ir de ônibus. É um erro de foco. Estamos tentando resolver problemas que ainda não existem.
Se você está começando um projeto, a prioridade deve ser validar a ideia. Provar que há um problema real e que sua solução resolve esse problema. E isso pode (e deve!) ser feito da forma mais simples e barata possível. Uma landing page, um formulário, uma versão bem crua do produto rodando em uma VPS de 5€/mês. Nada de AWS com tudo do bom e do melhor logo de cara.
Não estou dizendo que infraestrutura não é importante. Ela é. Mas no momento certo. Primeiro, resolva um problema real. Depois, escale com lucro. A AWS pode esperar.
Esse tipo de reflexão me lembra o quanto o empreendedorismo digital exige humildade. A humildade de aceitar que talvez ninguém queira aquilo que você está construindo. E tudo bem. É melhor descobrir isso rápido e barato do que tarde e caro.
No final das contas, empreender é entregar valor, não impressionar com arquitetura de software. É resolver problemas reais de pessoas reais. O resto é teatro.
Se você está construindo algo agora, te deixo a mesma provocação que ficou comigo após ler o post do Daniel: você está construindo um avião ou está tentando descobrir se alguém quer viajar?