Olá amigos e amigas!
Todo grupo de amigos tem aquele que resolve a conta do churrasco com uma planilha. Você pergunta quanto deu pra cada um e, em vez de um áudio de três minutos, ele manda a tabela pronta, com o nome de todo mundo e o valor do lado (e ainda desconta quem não bebeu rs).
Pois o ChatGPT virou esse amigo. Desde 7 de outubro a OpenAI está liberando a Intelligent UI do ChatGPT, que chega junto com o GPT-6. Agora ele pode montar um gráfico, um mapa ou uma calculadora ali mesmo, no meio da conversa.
Calma que eu explico.
1. O que é a Intelligent UI do ChatGPT
Até aqui, o ChatGPT era basicamente uma conversa por escrito. Você perguntava e vinha um textão, às vezes com uma tabela. Com a Intelligent UI, o próprio modelo escolhe o formato da resposta. Se a pergunta pede comparação, ele pode colocar as opções lado a lado. Se pede conta, pode entregar uma calculadora com campos que você mesmo altera. Se o texto resolve, continua vindo texto.
Os exemplos que a OpenAI mostrou no anúncio oficial são bem do dia a dia: um divisor de conta, uma calculadora de aposentadoria, um roteiro de viagem de carro com as paradas no mapa e até um joguinho retrô. Tem também o lado de estudo, com diagramas interativos pra explicar assuntos difíceis.
A resposta agora vem com botão.
Você não precisa escrever nenhum comando especial pra isso acontecer. Segundo a página de ajuda da OpenAI, o modelo decide sozinho quando um visual ajuda.
E é muita gente recebendo a mudança de uma vez: a OpenAI fala em mais de 1,2 bilhão de pessoas usando o ChatGPT toda semana. Aarush Selvan, gerente de produto da empresa, disse ao TechCrunch que o ChatGPT sempre foi predominantemente uma interface de texto e que as respostas mais úteis nem sempre são só texto.
2. Quem recebe o GPT-6 e quando
A liberação é global, acontece aos poucos e vale só pra aba Chat. No dia 7 de outubro começou pelos planos pagos (Plus, Pro, Business e Enterprise), que usam o GPT-6 Sol. No dia 8 foi a vez dos planos Free e Go, com o GPT-6 Luna. É o que está nas notas de versão do ChatGPT.
Enquanto eu escrevia este texto, a página de ajuda ainda dizia que Free e Go usavam o GPT-5.6 Luna por padrão. Então, se a novidade ainda não apareceu na sua conta gratuita, pode ser só a liberação gradual, que ainda não chegou em você.
Tem mais três condições pra funcionar. No celular, o app precisa estar atualizado. Os apps antigos do ChatGPT pra Windows e macOS não mostram a Intelligent UI, e a OpenAI recomenda usar o navegador. E quem assina o Pro e escolhe o nível de raciocínio “Pro” fica sem ela, porque esse modo roda outro modelo, o GPT-6 Astra.
Não existe cota separada pro recurso: valem os limites normais do seu plano.
A OpenAI também diz que, nas perguntas que exigem busca na web, o GPT-6 Instant começa a responder em média 44% mais cedo que o GPT-5.6 Instant. É medição da própria empresa, então guarde com esse desconto.
3. Como usar as respostas interativas na prática
Como o modelo decide sozinho, o jeito mais simples é perguntar normalmente coisas que rendem visual. Alguns pedidos pra você testar:
- “Monta uma calculadora pra dividir R$ 480 entre 8 pessoas, sendo que 3 não beberam e a bebida custou R$ 120.”
- “Compara lado a lado financiar ou alugar um apartamento, usando só os dados que eu vou te passar.”
- “Planeja uma viagem de carro de Belo Horizonte a Porto Seguro em 3 dias e mostra as paradas no mapa.”
- “Me explica juros compostos com um gráfico em que eu possa mudar a taxa e o prazo.”
Se vier só texto, peça de novo dizendo que quer a versão interativa. E se mesmo assim não vier, o mais provável é que o GPT-6 ainda não tenha chegado na sua conta.
O Canaltech listou outros usos que a OpenAI demonstrou, como comparador de assentos de avião e simulador de planejamento financeiro.
4. Confere a conta antes de confiar
Eu gostei da novidade. Pra muita coisa, um gráfico que eu consigo mexer ensina mais do que cinco parágrafos.
Só que uma calculadora bonitinha passa uma confiança que um texto não passa. E o modelo continua podendo errar a fórmula ou partir de um número errado, do mesmo jeito que errava no texto. Agora o erro vem bem diagramado.
Confere a conta!
Voltando ao amigo da planilha: até ele erra a fórmula de vez em quando, e a gente só descobre porque alguém do grupo refaz a soma. Faça o mesmo. Peça pro ChatGPT mostrar a fórmula e os números que usou. Teste com um caso em que você já sabe o resultado (no churrasco lá de cima, dá R$ 69 pra quem bebeu e R$ 45 pra quem não bebeu). E, se for decisão de dinheiro de verdade, refaça na sua própria planilha.
É o mesmo hábito de checagem que eu sugeri quando escrevi sobre os anúncios no ChatGPT.
5. Como reduzir os visuais se você preferir texto
Nem todo mundo vai curtir. Se você usa o ChatGPT pra copiar e colar texto, um monte de cartão e botão pode mais atrapalhar que ajudar.
Dá pra diminuir. No ChatGPT pelo navegador, abra as Configurações e desligue a opção “Layout and visuals” (na interface em português o nome pode aparecer traduzido). A OpenAI avisa que alguns visuais ainda podem aparecer e que essa opção não ativa um modo só de texto.
O outro caminho é pedir na própria mensagem: “responde só em texto, sem elementos visuais”. Se quiser isso sempre, coloque o pedido nas instruções personalizadas. Garantia não tem, mas ajuda.
6. Perguntas frequentes
A Intelligent UI do ChatGPT é paga?
Não. Ela chega também aos planos Free e Go, com o GPT-6 Luna. Os planos pagos usam o GPT-6 Sol. O recurso não tem cota separada, valem os limites do seu plano.
Preciso ativar alguma coisa pra usar?
Não precisa. O modelo escolhe sozinho quando usar texto, visual ou ferramenta interativa. Só confira se o app do celular está atualizado, ou use o navegador.
Dá pra desligar a Intelligent UI?
Por completo, não. Dá pra reduzir desligando “Layout and visuals” nas Configurações da versão web, e a OpenAI avisa que alguns visuais ainda podem aparecer.
Posso confiar nas calculadoras que o ChatGPT monta?
Confie depois de conferir. Peça a fórmula, teste com um caso de resultado conhecido e refaça por fora as contas importantes.
O ChatGPT virou o amigo da planilha. Aproveita, e refaz a soma.
Abraços,
Fellipe Soares
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